Guia do Excel

Fórmula para Cálculo Price no Excel com Exemplo

Planilha Fórmula Price Grátis! Aprenda como realizar o cálculo Price no Excel passo-a-passo e faça o download de exemplo prático para acompanhar o artigo.

MR
Marcos Rieper

Especialista em Excel

Atualizado em 09 de agosto de 2026 Publicado em 21 de julho de 2010 13 min de leitura

Fórmula para Cálculo price no Excel com Exemplo

Aprenda como criar uma fórmula para cálculo Price no Excel. O objetivo é facilitar os cálculos de financiamentos e empréstimos com parcelas periódicas e valores definidos, utilizando as funções financeiras disponíveis no próprio Excel.

O Método Price é bastante utilizado em operações de financiamento nas quais as parcelas são iguais ao longo do período. Na prática, isso significa que o valor da prestação permanece constante, enquanto a composição entre juros e amortização muda a cada pagamento.

Este artigo apresenta os principais cálculos que podem ser realizados no Excel utilizando as funções PGTO e VP. Além de mostrar a sintaxe das funções, vamos entender o significado de cada argumento e como utilizar essas funções em situações práticas.

O objetivo não é apenas apresentar uma fórmula pronta. É importante entender o que cada parâmetro representa, porque pequenas alterações na taxa, no número de períodos, no momento do pagamento ou no valor financiado podem alterar completamente o resultado.

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O que é o Método Price?

O Método Price, também conhecido como sistema francês de amortização, é um sistema de financiamento em que as prestações são calculadas para permanecerem iguais ao longo dos períodos, considerando uma taxa de juros e um prazo determinados.

Embora o valor da prestação permaneça constante, a composição dessa prestação não é igual durante todo o financiamento. No início, a parcela possui uma participação maior de juros e uma participação menor de amortização. Com o passar dos períodos, os juros diminuem e a parcela destinada à amortização aumenta.

Essa característica é importante para interpretar corretamente uma planilha de financiamento. O fato de a prestação ser constante não significa que os juros e a amortização tenham o mesmo comportamento.

No Excel, podemos utilizar funções financeiras para calcular tanto o valor da prestação quanto o valor presente de uma série de pagamentos.

Quais cálculos podemos realizar?

A planilha apresentada neste exemplo contém os seguintes cálculos:

  1. Prestação (PMT) sem carência e sem entrada;

  2. Prestação (PMT) com entrada;

  3. Prestação (PMT) com carência;

  4. Valor financiado (PV) sem carência e sem entrada;

  5. Valor financiado (PV) sem carência e com entrada;

  6. Valor financiado (PV) com carência.

Esses cenários são comuns em cálculos financeiros. Em alguns casos, queremos descobrir o valor da parcela. Em outros, conhecemos o valor da parcela e precisamos descobrir qual é o valor que pode ser financiado.

Quando trabalhamos com parcelas iguais e pagamentos periódicos, sem considerar carência ou entrada, o Excel oferece duas funções especialmente úteis: PGTO e VP.

Função PGTO no Excel

A função PGTO é utilizada para calcular o valor de uma prestação considerando uma taxa de juros, uma quantidade de períodos e um valor presente.

Sua estrutura é:

PGTO(taxa, nper, pv, [fv], [tipo])

Cada argumento possui uma finalidade específica.

  • taxa: representa a taxa de juros de cada período;

  • nper: representa o número total de períodos do financiamento;

  • pv: representa o valor presente, ou seja, o valor financiado no início da operação;

  • fv: é opcional e representa o valor futuro ou saldo que deverá permanecer ao final do financiamento. Se não for informado, o Excel considera esse valor como 0;

  • tipo: determina quando o pagamento será realizado. O valor 0 representa pagamento ao final do período e o valor 1 representa pagamento no início do período.

Um ponto importante é que a taxa e o número de períodos precisam estar na mesma unidade de tempo. Se a taxa informada for mensal, o número de períodos também deverá ser informado em meses. Se a taxa for anual e os pagamentos forem mensais, será necessário fazer a conversão adequada antes de utilizar a função.

Exemplo de cálculo de parcela com PGTO

Vamos considerar um empréstimo de R$ 1.000,00, com taxa de juros de 3% por período, a ser pago em 24 parcelas. Qual será o valor das parcelas?

A fórmula utilizada é:

=PGTO(0,03;24;-1000;;1)

Resultado: R$ 57,33

Essa fórmula informa ao Excel que temos uma taxa de 3%, 24 períodos e um valor presente de R$ 1.000,00.

O último argumento informado é 1, indicando que o pagamento ocorre no início do período. Esse detalhe é importante porque altera o resultado da função. Se o pagamento ocorrer no final de cada período, o argumento tipo deverá ser 0 ou poderá ser omitido.

Outro detalhe importante está no sinal utilizado no valor financiado.

Observe que foi utilizado:

-1000

e não simplesmente 1000.

Isso acontece porque as funções financeiras do Excel trabalham considerando o conceito de fluxo de caixa. O valor recebido e o valor pago possuem sinais opostos. Dessa forma, o valor financiado pode ser informado como uma saída ou entrada de caixa em relação ao cálculo da prestação.

Esse comportamento pode causar estranheza no início, mas é fundamental para utilizar corretamente as funções financeiras do Excel.

Por que o resultado do PGTO pode aparecer negativo?

Dependendo dos sinais utilizados nos argumentos da função, o Excel pode apresentar a prestação com sinal negativo.

Isso não significa que o cálculo esteja errado. O sinal representa a direção do fluxo financeiro.

Em um financiamento, por exemplo, podemos interpretar o valor recebido como uma entrada de dinheiro e as parcelas como saídas. Por isso, é comum utilizar sinais opostos nos argumentos da função para obter o resultado no formato esperado.

Se você estiver montando uma planilha para usuários finais, vale a pena estruturar as células de entrada e as fórmulas para que o resultado seja apresentado de maneira clara, evitando que o usuário precise lidar diretamente com essa lógica financeira.

Função VP no Excel

Enquanto a função PGTO permite descobrir o valor de uma prestação, a função VP pode ser utilizada para descobrir o valor presente de uma série de pagamentos.

Isso é muito útil quando conhecemos o valor das parcelas, a taxa de juros e a quantidade de períodos e queremos descobrir qual é o valor financiado correspondente.

A estrutura da função é:

VP(taxa, nper, pgto, [vf], [tipo])

Os argumentos são:

  • taxa: percentual de juros aplicado em cada período;

  • nper: número total de períodos;

  • pgto: valor do pagamento realizado em cada período;

  • vf: valor futuro ou saldo que restará ao final do financiamento;

  • tipo: indica se o pagamento é realizado ao final de cada período ou no início. Se for omitido, o Excel considera 0, ou seja, pagamento ao final do período.

Assim como ocorre com a função PGTO, os sinais dos valores são importantes porque representam os fluxos financeiros da operação.

Exemplo de cálculo do valor financiado com VP

Agora vamos inverter o problema.

Imagine que sejam pagas 24 prestações no valor de R$ 57,33, considerando uma taxa de 3% por período. Queremos descobrir qual seria o valor presente dessa série de pagamentos.

Podemos utilizar a função VP para realizar esse cálculo.

Como estamos trabalhando com valores arredondados para apresentação, é importante considerar que o resultado pode apresentar uma pequena diferença em relação ao valor original. Isso acontece porque uma prestação calculada com várias casas decimais pode ser exibida na planilha com apenas duas casas decimais.

Esse detalhe é muito importante em cálculos financeiros.

Se o valor real da parcela for, por exemplo, R$ 57,3278, mas a planilha exibir apenas R$ 57,33, o cálculo utilizando o valor exibido não será exatamente igual ao cálculo utilizando o valor completo.

Por isso, pequenas diferenças de centavos podem aparecer quando fazemos o caminho inverso do cálculo.

Arredondamento e cálculos financeiros

O arredondamento é um dos principais pontos de atenção ao trabalhar com financiamentos no Excel.

Imagine que uma função financeira encontre uma parcela com muitas casas decimais. Na apresentação do relatório, normalmente queremos mostrar apenas duas casas:

R$ 57,33

Porém, internamente, o Excel pode continuar trabalhando com o valor completo, que pode ser ligeiramente diferente de R$ 57,33.

Se você utilizar posteriormente o valor arredondado em outra fórmula, o resultado poderá apresentar uma pequena diferença.

Portanto, quando uma planilha financeira precisa reproduzir exatamente os valores de um contrato, é importante verificar como a instituição financeira realiza os arredondamentos e em qual momento eles são aplicados.

Uma coisa é o valor estar apenas formatado com duas casas decimais. Outra é utilizar a função ARRED para efetivamente modificar o valor armazenado no cálculo.

Essa diferença pode gerar resultados diferentes em determinadas situações.

PGTO e VP: quando utilizar cada função?

Uma maneira simples de diferenciar as duas funções é pensar na pergunta que você deseja responder.

Se a pergunta for:

“Quanto vou pagar por período?”

utilize a função PGTO.

Se a pergunta for:

“Qual é o valor financiado considerando essas parcelas?”

utilize a função VP.

Em outras palavras, o PGTO calcula o pagamento periódico a partir de outras informações financeiras, enquanto o VP calcula o valor presente de uma série de pagamentos.

As duas funções fazem parte de uma mesma lógica financeira e podem ser utilizadas em conjunto na construção de uma planilha de financiamento.

O que muda quando existe uma entrada?

Quando existe uma entrada, o valor efetivamente financiado não corresponde necessariamente ao valor total da compra.

Imagine uma compra de R$ 10.000,00 em que o cliente paga uma entrada de R$ 2.000,00. O valor que será financiado será de R$ 8.000,00, antes da consideração de outros encargos eventualmente existentes.

Em uma planilha, é importante separar essas informações. O valor total da operação, o valor da entrada e o valor financiado são informações diferentes.

A função PGTO deverá considerar como valor presente o montante efetivamente financiado, e não necessariamente o preço total do produto ou serviço.

Essa separação deixa a planilha mais clara e facilita a conferência dos cálculos.

Como funciona a carência?

A carência também precisa ser considerada com atenção. Quando existe um período de carência, o primeiro pagamento não ocorre imediatamente após a contratação.

Durante esse intervalo, dependendo das regras da operação, os juros podem continuar sendo incorporados ao saldo devedor.

Por isso, um cálculo com carência não deve simplesmente utilizar a mesma fórmula de um financiamento sem carência e ignorar os períodos existentes antes do primeiro pagamento.

Em uma planilha completa, a carência deve ser tratada como parte da estrutura financeira da operação.

Esse é justamente um dos motivos pelos quais a planilha apresentada originalmente contempla situações como prestação com carência, valor financiado com carência e operações com entrada.

Taxa de juros e período precisam estar alinhados

Um dos erros mais comuns ao utilizar PGTO e VP é informar uma taxa mensal com uma quantidade de períodos anual ou vice-versa.

Se a taxa for de 3% ao mês e o financiamento tiver 24 meses, podemos utilizar diretamente:

taxa = 3%

nper = 24

Mas, se a taxa estiver expressa ao ano e os pagamentos forem mensais, será necessário avaliar a taxa periódica adequada antes de realizar o cálculo.

Não devemos simplesmente misturar unidades diferentes. A taxa utilizada na função precisa representar o mesmo período dos pagamentos.

Esse cuidado é fundamental para evitar resultados incorretos, mesmo quando a fórmula estiver tecnicamente escrita de maneira correta.

O parâmetro tipo merece atenção

Outro argumento que frequentemente passa despercebido é o tipo.

Nas funções financeiras do Excel, o valor 0 representa pagamentos no final do período, enquanto o valor 1 representa pagamentos no início.

Se o argumento for omitido, o Excel assume 0.

Essa diferença pode alterar o valor da parcela porque, quando o pagamento ocorre no início do período, o fluxo financeiro é diferente daquele em que o pagamento ocorre no final.

Por isso, ao construir uma planilha financeira, não é recomendável simplesmente deixar esse parâmetro de lado sem verificar as condições reais da operação.

Como montar uma planilha de Método Price

Uma boa planilha para cálculo do Método Price deve separar claramente os dados de entrada dos resultados.

Entre os principais campos de entrada, podemos ter:

  • Valor do financiamento;

  • Taxa de juros;

  • Quantidade de parcelas;

  • Valor da entrada;

  • Período de carência;

  • Momento do pagamento;

  • Saldo final, quando aplicável.

A partir dessas informações, a planilha pode apresentar o valor da prestação, o valor financiado ou outros indicadores necessários.

Separar entrada e resultado também facilita a utilização por outras pessoas. O usuário informa os dados nas células de entrada e a planilha realiza os cálculos automaticamente.

Cuidados ao utilizar o Método Price

É importante lembrar que uma função financeira do Excel realiza um cálculo matemático com base nos parâmetros informados. Ela não determina, por conta própria, todas as regras de um contrato de financiamento.

Taxas adicionais, seguros, tarifas, impostos, arredondamentos específicos e outras condições contratuais podem alterar o valor efetivamente pago em uma operação financeira.

Portanto, ao comparar o resultado de uma planilha com um contrato ou com uma simulação de uma instituição financeira, é necessário verificar se todos os parâmetros utilizados são realmente os mesmos.

Uma diferença pequena na taxa, no momento do pagamento ou no tratamento do arredondamento já pode produzir resultados diferentes.

Resumo das funções

Para facilitar a consulta, podemos resumir os principais conceitos apresentados:

  • PGTO: calcula o valor da prestação de uma operação financeira.

  • VP: calcula o valor presente de uma série de pagamentos.

  • taxa: deve estar na mesma periodicidade dos pagamentos.

  • nper: representa a quantidade de períodos.

  • tipo 0: pagamento ao final do período.

  • tipo 1: pagamento no início do período.

  • fv/vf: representa o valor futuro ou saldo restante, quando aplicável.

  • Sinais: devem ser utilizados corretamente para representar os fluxos financeiros.

  • Arredondamento: pode provocar pequenas diferenças quando um valor exibido com duas casas decimais é utilizado novamente em outro cálculo.

Conclusão

O Excel possui recursos financeiros muito úteis para quem precisa construir planilhas de empréstimos, financiamentos e simulações. Entre eles, as funções PGTO e VP são fundamentais para trabalhar com parcelas e valores presentes.

Com a função PGTO, podemos descobrir o valor de uma prestação a partir do valor financiado, da taxa de juros e da quantidade de períodos. Com a função VP, podemos fazer o caminho inverso e calcular o valor presente de uma série de pagamentos.

Também vimos que existem alguns detalhes que precisam de atenção: sinais dos fluxos financeiros, periodicidade da taxa, quantidade de períodos, momento do pagamento, entrada, carência e arredondamento.

Esses detalhes fazem diferença principalmente quando a planilha é utilizada para simulações mais próximas de situações reais.

Uma boa planilha financeira não deve apenas apresentar uma fórmula. Ela deve deixar claro quais são os dados de entrada, quais regras estão sendo consideradas e como o resultado foi obtido.

Esse é o principal objetivo ao trabalhar com funções financeiras no Excel: transformar um cálculo que poderia ser feito manualmente em uma ferramenta organizada, automática e fácil de conferir.

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